Emancipação da mulher: uma questão de classe.

Alíria Thaísa*
O século XX tem sido colocado por muitos como sendo o século das mulheres. E a justificativa para tal afirmação são as conquistas que  elas obtiveram: a afirmação das mulheres na sociedade, o aumento de autonomia e da participação no mercado de trabalho e na política. Em outras palavras, diz-se que a mulher “ocupou o seu lugar na sociedade”.  Foi ainda neste século que a idéia da libertação da mulher nasceu na terra fértil do movimento socialista mundial.

A base ideológica, desta que deve ser definida como uma verdadeira batalha pode ser encontrada nos escritos de Marx e Engels. A visão da família, da mulher proletária e da burguesa que permeiam A Origem da Família, da Propriedade e do Estado, de Engels, é a base da visão dos socialistas sobre a necessidade da libertação da mulher proletária. A frase de Marx, “A opressão do homem pelo homem iniciou-se com a opressão da mulher pelo homem”, demorou a dar seus frutos, mas deu.  Foi a partir do começo do século XX, essa luta das socialistas se cruzou com a do movimento das mulheres independentes, em sua maioria pertencente às classes média e alta, que estavam em campanha pelo direito de voto. Essas mulheres, nos Estados Unidos e na Inglaterra,  reivindicavam o sufrágio para as mulheres.

Porem suas relações com as socialistas eram de conflito, devido às visões e a posição de classes diferentes, mas foi nesse ínterim que a voz das mulheres, outrora sufocadas pela história, dá seus primeiros gritos, clamando por seu reconhecimento como “sujeito” e “ator” da sociedade em todos os seus prismas. No entanto, o discurso de que o século XX seria o século das mulheres não passa de uma falácia, pois se as conquistas foram grandes a repressão e a opressão vieram com a mesma força e intensidade.

Após anos de lutas e sangue derramado, o mundo do “capital” teve que se render a coragem,  a força e a voz das mulheres que após outubro de 1917 não se permitiriam calar.   Por isso como símbolo destas conquistas foi criado o 8 de março, esta seria a data que marcaria estas vitórias. Mas com o passar dos anos esta data adquiriu ares reformistas e muitas vezes significados fúteis. O 8 de março foi transformado em uma data “comercial” assim como o dia das mães. No entanto, é preciso  derrubar este mito  do 8 de Março isso não implicaria em desvalorizar o significado histórico que este adquiriu. Muito ao contrário. Significa retomar a verdade dos fatos que são suficientemente ricos de significado e que carregam toda a luta da mulher no caminho da sua libertação.

Significa enriquecer a comemoração desse dia com a retomada de seu sentido original. Significa voltar às origens do ideal socialista da maioria das mulheres que lutavam por um mundo novo sem exploração e opressão do homem pelo homem e especificamente da mulher pelo homem. Uma longa luta sem medo da felicidade, sem medo do prazer. Sem medo de lutar por uma revolução, que deverá ser social, sexual, e profundamente cultural. Sem medo de levantar as bandeiras vermelhas da luta pela libertação da humanidade. A libertação de homens e mulheres.

Desta forma devemos entender o século passado não como o século das mulheres apenas pelas conquistas de espaço. E sim,  que no século XX  foi dado o primeiro passo para alcançarmos as verdadeiras vitórias, isso não minimiza as conquistas que foram feitas, mas de maneira nenhuma devemos nos acomodar, pois a solução para o fim das opressões só será alcançado numa sociedade igualitária.

* Alíria é militante da União da Juventude Comunista – UJC e do Partido Comunista Brasileiro – PCB

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2 respostas em “Emancipação da mulher: uma questão de classe.

  1. Muito interessante e emocionante este texto, realmente somos merecedoras de todas estas vitórias… Mulher é uma verdadeira arte Divina…

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