Indígena baleado em conflito no Sul da Bahia revela a violência do latifúndio.

23 de abril de 2012

Por Graciliano Rocha

Da Folha de São Paulo

O conflito entre fazendeiros e índios no sul da Bahia teve uma escalada de violência ontem com um índio pataxó baleado próximo ao rio Pardo, em Pau Brasil (550 km de Itabuna). Segundo a Polícia Federal, Ivanildo dos Santos, 29, levou um tiro na coxa por volta das 13h de ontem e foi levado para um hospital em Itabuna. Ele não corre risco de morrer.

A PF não informou as circunstâncias do disparo nem havia identificado o autor até a conclusão desta edição. Há suspeita de que ele tenha sido baleado por seguranças dos fazendeiros que tentam impedir invasões de terra.

A área onde Santos foi baleado é a mesma onde a Folha constatou a existência de homens armados em uma espécie de bunker para proteger a fazenda Santa Rita -do ex-prefeito de Pau Brasil Durval Santana (DEM).

A PF não especificou se o disparo ocorreu dentro da fazenda ou se houve troca de tiros. Wilson de Souza, dirigente da Funai (Fundação Nacional do Índio) na região, disse que o índio não estava armado e foi atacado quando estava na fazenda -o que a polícia não confirma.

A existência dos homens armados foi negada por Santana. Ontem, a filha do ex-prefeito, Sonyr Santana, voltou a negar que haja seguranças armados na Santa Rita e disse que não teve conhecimento do caso do índio.

ZONA DE GUERRA

A região de Pau Brasil virou uma zona de disputa conflagrada entre índios e fazendeiros por um território de 54 mil hectares – o equivalente a um terço da área da cidade de São Paulo.

Os índios pataxó hã hã hãe iniciaram em fevereiro uma série de invasões de terra para pressionar o Supremo Tribunal Federal a julgar a ação de 1982 que pede a nulidade dos títulos de propriedade de 396 fazendeiros para a criação de uma reserva indígena.

Apesar do clima de tensão, há pequena presença policial na área. A PF mantém seis homens em duas caminhonetes que percorrem as estradas da região. Nos últimos dias ninguém foi preso e nenhuma arma foi apreendida.

Há cinco guarnições da Polícia Militar dando apoio à PF, mas os PMs reforçam as entradas da cidade e uma rodovia que liga Pau Brasil a Itaju do Colônia e não entram na estrada vicinal onde há mais risco de enfrentamento.

Questionado, o governador Jaques Wagner (PT) informou que pediu ao Ministério da Justiça o reforço do efetivo da PF na área porque se trata de conflito com índios.

A Equipe da Folha de São Paulo também foi ameaçada por pistoleiros. Abaixo, o relato dos repórteres:

Jagunços pararam nosso carro e nos ameaçaram

Por Joel Silva

Nós estávamos seguindo por uma estrada em Pau Brasil. Ela não parecia perigosa, já tínhamos passado por ali antes, embora já tivéssemos avistado seguranças perto da propriedade do ex-prefeito Durval Santana (DEM).

Por volta das 8h, quando estávamos subindo uma colina, fomos surpreendidos no ponto alto da estrada por um grupo de jagunços armados de escopetas e revólveres na cintura. Doze ao todo.

Os que estavam encapuzados se postaram diante do carro e gritaram para pararmos. Eu e o motorista procuramos sair calmamente do veículo e, para mostrar que não estávamos armados, colocamos as mãos no capô.

Os homens encapuzados nos mandaram deitar no chão. Fomos então revistados e interrogados. Explicamos que éramos de São Paulo e trabalhávamos como jornalistas da Folha. “Cadê a carteirinha?”, perguntaram. Pedimos que olhassem dentro do veículo.

Inspecionaram nossos equipamentos e documentos e depois botaram tudo de volta. Mandaram então que nós entrássemos no carro e fôssemos embora dali sem olhar para nenhum deles -alguns não estavam encapuzados -, se não iriam atirar.

Partimos devagar.

Alguns quilômetros à frente fomos parados por outro grupo de jagunços – sete deles, mas só um com escopeta. Não estavam de capuz. Questionaram o que fazíamos na região. Explicamos e nos identificamos novamente. “Sai daqui! Sai daqui!”, gritaram.

Rodamos até encontrar um grupo de agentes da Polícia Federal. Contamos então o que nos sucedeu. Até agora a PF diz não ter achado armas com índios e fazendeiros.

Fonte: mst.org.br

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1º Torneio de Futsal da Agronomia 2012 – Masculino e Feminino

É com grande alegria que nós do Diretório Acadêmico de Agronomia Gestão: Mais Vale O Que Será! juntamente com o Programa de Educação Tutorial – PET Agronomia divulgamos o 1º Torneio de Futsal da Agronomia.
Esse espaço é para fortalecer o esporte e a cultura dentro da nossa Universidade e encaramos o mesmo com uma importância muito grande. Hoje temos essa tarefa de resgatar esses valores que foram deixados de lado dentro da nossa Universidade e tantas outras pelo país.

As inscrições poderão ser feitas na sede do D.A de Agronomia (Próximo ao R.U) e também na sala do PET (Ultimo andar do CEAGRI 1). As inscrições serão realizadas a partir do dia 20 de março até o dia 28 de março (Quarta-feira) e o torneio acontecerá no dia 31 de março de 2012 (Sábado) na quadra coberta da UFRPE no Departamento de Educação Física.

Baixe a ficha de inscrição aqui: Formulario_de_Insc_Atletas_Torneio_Agronomia_2012

Segue nesse post o regulamento do torneio e o cartaz de divulgação.

I Torneio de Futsal da Agronomia

Masculino e Feminino

 

Regulamento:

  1. Os(as) atletas devem apresentar o comprovante de matricula (siga) e uma cópia documento com foto no momento da inscrição e antes dos jogos.
  2. Serão permitidos o mínimo de 5 e máximo de 12 atletas  por equipe, cada uma com o devido formulário de inscrição preenchido, a ser entregue no ato da inscrição.
  3. As equipes poderão ser formadas por alunos(as) independentes do período cursados no curso de Agronomia, inclusive pós-graduação, desde, que nos Programas do Dep. De Agronomia (Ciência do Solo, Entomologia Agrícola, Fitopatologia e Melhoramento Genético de Plantas).
  4. O evento acontecerá em duas etapas:
  • 1ª Etapa: Sistema de grupos (A quantidade de grupos dependerá do numero de equipes inscritas), do qual o(s) primeiro(s) (1º e 2º dependendo do número de equipes inscritas) se classificam para a próxima fase.  Realizada no dia .
  • 2ª Etapa: Quartas de finais(se preciso), semifinais, e finais. Realizadas em . Eliminatória simples.
  • Obs: As tabelas serão divulgadas em breve.
  1. O valor da inscrição será de RS 30,00 (Trinta reais) por equipe masculina e R$ 15,00 (Quinze reais) por equipe feminina.
  2. Inscrições serão efetuadas no D.A Agronomia e no PET-Agronomia.
  3. As inscrições serão efetuadas de 20 a 28 de Março.
  4. Premiações: 1ª – Medalhas, troféu e o bolão (parte do valor das inscrições). 2ª – Medalhas.
  1. Demais regras seguirão o “Livro Nacional de Regras 2011” da CBFS.
  2. O evento será realizado no Ginásio Poliesportivo da UFRPE no Departamento de Educação Física (próximo ao CEGOE).
  3. Dos casos não contemplados nesse regulamento caberá à organização do torneio tomar as providências cabíveis.

Anexo I

CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO PARA A 2ª ETAPA

PARA OS GRUPOS DE COM 3 EQUIPES:

APENAS UMA EQUIPE SE CLASSIFICARÁ POR DUAS MANEIRAS DISTINTAS:

1ª) DUAS VITÓRIAS ou

2ª) CRITÉRIO DE DESEMPATE

OBS: AS EQUIPES PARTICIPARÃO DE NO MÁXIMO DOIS JOGOS

PARA OS GRUPOS COM 4 EQUIPES:

SERÃO CLASSIFICADAS AS EQUIPES:

_ VENCEDORAS DOS GRUPOS;

_ VENCEDORAS DA DISPUTA ENTRE OS 2º COLOCADOS DOS GRUPOS, COMO

EFEITO DE REPESCAGEM (= METADE DO NÚMERO DE EQUIPES 2ªS COLCADAS).

A CLASSIFICAÇÃO DAS EQUIPES PODERÁ ACONTECER DE DUAS MANEIRAS:

1ª) DUAS VITÓRIAS ou

2ª) CRITÉRIO DE DESEMPATE

CRITÉRIOS DE DESEMPATE:

1. SALDO DE GOLS;

2. MAIOR NÚMERO DE GOLS FEITOS;

3. MENOR NÚMERO DE GOLS SOFRIDOS;

4. MENOR NÚMERO DE CARTÕES (AMRELOS E VERMELHOS) QUE A EQUIPE

RECEBEU DURANTE O CAMPEONATO ATÉ AQUELE MOMENTO

Recife, 20 de março de 2012

 

DIRETÓRIO ACADÊMICO DE AGRONOMIA – DAGRO

Gestão: “Mais Vale O Que Será!”.

 

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL – PET AGRONOMIA

20 ANOS CONTRIBUINDO NA GRADUAÇÃO

Emancipação da mulher: uma questão de classe.

Alíria Thaísa*
O século XX tem sido colocado por muitos como sendo o século das mulheres. E a justificativa para tal afirmação são as conquistas que  elas obtiveram: a afirmação das mulheres na sociedade, o aumento de autonomia e da participação no mercado de trabalho e na política. Em outras palavras, diz-se que a mulher “ocupou o seu lugar na sociedade”.  Foi ainda neste século que a idéia da libertação da mulher nasceu na terra fértil do movimento socialista mundial.

A base ideológica, desta que deve ser definida como uma verdadeira batalha pode ser encontrada nos escritos de Marx e Engels. A visão da família, da mulher proletária e da burguesa que permeiam A Origem da Família, da Propriedade e do Estado, de Engels, é a base da visão dos socialistas sobre a necessidade da libertação da mulher proletária. A frase de Marx, “A opressão do homem pelo homem iniciou-se com a opressão da mulher pelo homem”, demorou a dar seus frutos, mas deu.  Foi a partir do começo do século XX, essa luta das socialistas se cruzou com a do movimento das mulheres independentes, em sua maioria pertencente às classes média e alta, que estavam em campanha pelo direito de voto. Essas mulheres, nos Estados Unidos e na Inglaterra,  reivindicavam o sufrágio para as mulheres.

Porem suas relações com as socialistas eram de conflito, devido às visões e a posição de classes diferentes, mas foi nesse ínterim que a voz das mulheres, outrora sufocadas pela história, dá seus primeiros gritos, clamando por seu reconhecimento como “sujeito” e “ator” da sociedade em todos os seus prismas. No entanto, o discurso de que o século XX seria o século das mulheres não passa de uma falácia, pois se as conquistas foram grandes a repressão e a opressão vieram com a mesma força e intensidade.

Após anos de lutas e sangue derramado, o mundo do “capital” teve que se render a coragem,  a força e a voz das mulheres que após outubro de 1917 não se permitiriam calar.   Por isso como símbolo destas conquistas foi criado o 8 de março, esta seria a data que marcaria estas vitórias. Mas com o passar dos anos esta data adquiriu ares reformistas e muitas vezes significados fúteis. O 8 de março foi transformado em uma data “comercial” assim como o dia das mães. No entanto, é preciso  derrubar este mito  do 8 de Março isso não implicaria em desvalorizar o significado histórico que este adquiriu. Muito ao contrário. Significa retomar a verdade dos fatos que são suficientemente ricos de significado e que carregam toda a luta da mulher no caminho da sua libertação.

Significa enriquecer a comemoração desse dia com a retomada de seu sentido original. Significa voltar às origens do ideal socialista da maioria das mulheres que lutavam por um mundo novo sem exploração e opressão do homem pelo homem e especificamente da mulher pelo homem. Uma longa luta sem medo da felicidade, sem medo do prazer. Sem medo de lutar por uma revolução, que deverá ser social, sexual, e profundamente cultural. Sem medo de levantar as bandeiras vermelhas da luta pela libertação da humanidade. A libertação de homens e mulheres.

Desta forma devemos entender o século passado não como o século das mulheres apenas pelas conquistas de espaço. E sim,  que no século XX  foi dado o primeiro passo para alcançarmos as verdadeiras vitórias, isso não minimiza as conquistas que foram feitas, mas de maneira nenhuma devemos nos acomodar, pois a solução para o fim das opressões só será alcançado numa sociedade igualitária.

* Alíria é militante da União da Juventude Comunista – UJC e do Partido Comunista Brasileiro – PCB

Código Florestal a serviço do latifúndio e do agronegócio.

Por Djoni Roos*

A cobertura vegetal brasileira vem desde muito tempo sendo destruída. Desde a invasão
portuguesa no século XVI que as riquezas naturais do país são exploradas e as florestas arrasadas. Fato que se acelerou com a forma de ocupação territorial estabelecida, ou seja, grandes propriedades com a permissão para a exploração sem limites da cobertura vegetal, aliás, com incentivos para a destruição do ambiente.Não havia, portanto, nenhuma legislação no país que prescrevesse os cuidados necessários com os recursos naturais. Somente em 1930 foi elaborado o primeiro Código Florestal Brasileiro através do Decreto nº 23.793, de 23-01-1934. Em 1965 o texto do Código foi reformulado (Lei Federal 4.771) visando controlar minimamente o desmatamento, que, aliás, foi incentivado pelo próprio Estado através de projetos de
colonização na Amazônia. Apesar de datar da década de 1960 o Código Florestal vigora até os dias atuais e se constitui num dos principais pilares da legislação ambiental brasileira.O Código Florestal brasileiro, promulgado em 1965, considera em seu texto que as florestas e demais coberturas vegetais são bens de interesse comum a todos os habitantes do país. Implementou ainda, as figuras da Reserva Legal (RL) e da
Área de Preservação Permanente (APP). Portanto, o Código Florestal colocava em pauta a defesa de ampla área de cobertura vegetal nativa e designava ao Estado o papel de fiscalizar e garantir o cumprimento da legislação.

Entretanto, na maioria dos casos, a legislação ambiental brasileira não foi cumprida. Milhares de hectares de florestas e demais coberturas vegetais foram destruídas, depois de 1965, inclusive aquelas áreas previstas pelo Código Florestal como de preservação permanente. Ou seja, o desrespeito à legislação foi o que imperou, os crimes ambientais cometidos foram sob a conivência do Estado brasileiro, que incumbido da fiscalização e proteção ambiental prevista pelo Código, não o fez, ou melhor, estimulou por meio de políticas diversas o desmatamento, inclusive daquelas áreas protegidas por lei.

Desde 2008 existe uma discussão no Congresso Nacional para alteração do atual Código Florestal. A discussão sobre a mudança no Código se intensificou no ano passado devido à pressão da bancada ruralista (políticos ligados aos setores latifundiários e do agronegócio) e com a apresentação do texto substitutivo proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB). O substitutivo proposto representa perdas ambientais e sociais, propiciando o aumento do desmatamento de forma generalizada em todos os biomas.

A alteração proposta trata-se de um retrocesso do que mais progressista se conseguiu até hoje em termos de preservação ambiental no Brasil.

Dentre as principais e mais perigosas questões propostas pelo substitutivo estão:

A ANISTIA IRRESTRITA AO DESMATAMENTO ILEGAL OCORRIDO ATÉ 2008;

Esta medida estabelece a legalização do crime ambiental no Brasil. Quem desmatou áreas protegidas por lei, transgrediu a regra e, portanto, precisa responder por estes atos. A atual proposta trata de beneficiar os desmatadores ao invés de fazer com que respondam pelos crimes ambientais cometidos.

Como pano de fundo essa proposição visa encobrir os atuais desmatamentos acometidos de forma irregular em nosso país, beneficiando grandes proprietários fundiários que desmataram imensas áreas, principalmente na Amazônia e no Cerrado.

ELIMINAÇÃO DA RESERVA LEGAL PARA PROPRIEDADES DE ATÉ 4 MÓDULOS RURAIS INCLUSIVE NA AMAZÔNIA;

Essa isenção em áreas da Amazônia significa a devastação total de propriedades com até 400 hectares, já que nessa região o módulo rural equivale a 100 hectares. Além disso, a eliminação da obrigatoriedade da reserva legal traz consequências drásticas não somente para a região compreendida pela floresta amazônica. É preciso compreender que as reservas legais se constituem como importantes remanescentes da fauna e da flora, possuindo papel de extrema importância na preservação da biodiversidade.

Neste ponto, reiteramos outro equívoco do texto substitutivo do Código que estabelece que a compensação da Reserva Legal possa ser feita fora da bacia hidrográfica. Salientamos que cada bacia hidrográfica possui suas particularidades em termos de biota, acarretando numa alta heterogeneidade das formações vegetais dentro de cada bioma. Por isso, as compensações devem ser feitas nas micro-bacias, ou no máximo nas bacias hidrográficas, levando sempre em consideração as particularidades e diversidade de cada uma.

Ainda sobre a Reserva Legal, outras implicações que a proposta substitutiva traz são: Substituição da Reserva Legal por espécies exóticas, ou seja, a supressão da vegetação nativa destas áreas poderá ser utilizada para a expansão da monocultura de eucaliptos e pinus, o que acarretará prejuízos irreversíveis a biodiversidade e atenderá apenas aos interesses de setores do latifúndio/agronegócio.

Além disso, a proposta inclui as APPs (matas ciliares, encostas, topos de morro) como partes da Reserva Legal, fato que causará drástica diminuição no tamanho dos já tão pequenos fragmentos de reserva. Outro fator referente à Reserva Legal que visa claramente beneficiar grileiros e latifundiários é a diminuição da mesma na Amazônia Legal, de 80% para 50%. Na realidade, esta medida visa encobrir os atuais crimes de desmatamento que vem ocorrendo na Amazônia, devido a expansão da agropecuária (pecuária, soja e cana-de-açúcar, principalmente), legalizando tais transgressões ambientais. Ainda, se aprovada, esta proposta acarretará na destruição de grande parte da floresta Amazônica, causando impactos irreversíveis ao bioma, além de aumentar a emissão de gases poluentes na atmosfera como o CO2.

TRANSFERÊNCIA DA REGULAMENTAÇÃO PARA O NÍVEL ESTATAL;

Esta é uma atitude de alto grau de desconhecimento sobre os biomas brasileiros. Os biomas não respeitam delimitações político-administrativas, assim como os Estados, por isso é impossível pensar em leis estaduais distintas capazes de garantir a preservação ambiental, residindo aí a necessidade de se ter um controle a nível federal. No entanto, esta resolução visa criar uma flexibilização nas leis ambientais, pois, o controle a nível estatal possibilitaria que em determinados Estados onde a bancada ruralista possui
mais força nas Assembléias Legislativas, a diminuição dos entraves para a destruição ambiental.

DIMINUIÇÃO DA ÁREA DAS APPS;

O texto substitutivo apresenta outros agravantes ainda com relação às Áreas de Preservação Permanentes, que são formações vegetais situadas ao longo de rios, cursos de água, nascentes, topos de morros, montanhas, serras, encostas com declividade superior a 45º, entre outras. O texto em discussão propõe uma diminuição destas áreas. Rios e córregos, que pelo atual Código devem ter no mínimo 30
metros de largura da mata ciliar de cada lado da sua margem, passariam segundo a nova proposição, a necessária preservação de apenas 15 metros.

O texto em discussão acrescenta ainda que topos de morros e encostas poderão ser utilizados para exploração florestal, entenda-se, expansão da silvicultura nestas áreas com o cultivo de monoculturas como o eucalipto. Estas áreas pelo atual Código estão protegidas de desmatamento e do cultivo irracional de espécies exóticas. As áreas de várzeas e pantanosas que pela atual legislação são resguardadas da devastação, ou seja, são áreas de preservação permanente. Pelo substitutivo proposto poderão ser
utilizadas para fins agropecuários.

Fica evidente a partir de alguns pontos aqui abordados, que a proposta de mudança do Código apresentada, trata-se de um retrocesso em termos de preservação ambiental no Brasil. O projeto de alteração proposto privilegia exclusivamente os desejos arcaicos dos latifundiários brasileiros em oposição à proteção ambiental. É preciso enfatizar ainda, que a mudança no Código Florestal Brasileiro vem sendo defendida pela bancada ruralista do congresso, exímios representantes dos interesses do latifúndio/agronegócio que se utilizam do pífio argumento de que o atual Código Florestal entrava o desenvolvimento do país.

Acontece que o agronegócio brasileiro é o maior destruidor das coberturas vegetais nativas do país. Estas áreas estão sendo substituídas por monoculturas de cana-de-açúcar, soja, eucalipto, pecuária, etc., acarretando em muitos casos processos de arenização e desertificação como já comprovado em algumas áreas. Ou seja, a expansão do latifúndio/agronegócio está intimamente ligada com a destruição dos
recursos naturais. Neste ponto que se encontra a pressão dos setores de proprietários fundiários representados pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e a sua “senhora motosserra” (senadora Kátia Abreu) e políticos comprometidos com o latifúndio/agronegócio para a alteração do atual Código Florestal.

É preciso esclarecer que não se trata de um embate entre ambientalistas e agricultores como defendem os representantes do latifúndio/agronegócio. O latifúndio/agronegócio busca criar um verdadeiro pânico em torno do Código Florestal dizendo que as leis ambientais visam inviabilizar qualquer forma de agricultura, principalmente a camponesa. Esta estratégia tem como finalidade cooptar os camponeses, afirmando que ambos (latifúndio/agronegócio e agricultura camponesa) estão do mesmo lado.

Além disso, a propaganda midiática elaborada e apresentada pelo latifúndio/agronegócio afirma que a proteção aos recursos naturais no Brasil é um entrave ao “desenvolvimento” do setor agrícola do país.

Acreditamos que não se trata de um embate entre agricultura e preservação ambiental, mas de um embate entre modelos agrícolas. Existe uma agricultura que é centrada na produção de gêneros alimentícios, que prima pela satisfação das necessidades familiares e que garante a conservação do ambiente: a agricultura camponesa. Há outra forma de exploração no campo, que privilegia o lucro, a acumulação de capital nas mãos de um pequeno grupo social através da produção de commodities para exportação ou simplesmente pela espoliação da renda da terra por serem proprietários fundiários: o agronegócio. Este modelo se sustenta na exaustão dos recursos naturais e sociais, através da destruição da natureza e utilização de trabalho análogo as condições de escravidão.

A agricultura camponesa vem a séculos mostrando que é possível ter uma produção agrícola em sintonia com a conservação da natureza. Aliás, os camponeses entendem que o equilíbrio e a preservação da natureza são essenciais para a garantia de uma boa produção que venha a suprir as demandas familiares. É preciso entender que se nos dias atuais existe algo preservado em termos ambientais, quem conservou foram as populações camponesas.

Já o agronegócio/latifúndio é quem mais tem degradado e destruído a flora e a fauna do país, não apenas pelo desmatamento, mas também pela intoxicação dos solos, das águas e do ar com aquilo que denominam “defensivos” agrícolas. Na verdade, trata-se de venenos altamente nocivos para o ambiente e para a população em geral. Tudo isso em virtude da acumulação sem limites de capital. Portanto, o latifúndio e o agronegócio são os verdadeiros devastadores e fazem de tudo para destroçar o Código Florestal e continuar a destruir sem piedade.

Por isso, acreditamos que não se trata de desconhecimento dos relatores da atual proposta de alteração do Código Florestal sobre as características das coberturas vegetais do país; trata-se de um embate entre projetos de desenvolvimento. O projeto da destruição e busca pelo lucro a todo custo que conta com presença massiva de seguidores no Planalto Central versus o da preservação e satisfação das necessidades básicas relegando um ambiente preservado para as gerações futuras, que infelizmente é pouco representado nas esferas políticas “oficiais”.

Vários segmentos da sociedade têm se manifestado sobre a reformulação do Código Florestal. Organizações, movimentos sociais, ONGs, associações, entidades, intelectuais, artistas, professores, geógrafos, biólogos, jornalistas, economistas, dentre outros tem dado sua contribuição ao debate e não raramente defendido que o substitutivo traz enormes prejuízos para o já degradado ambiente natural brasileiro.

Por fim, reafirma-se que o texto substitutivo atenta violentamente contra o ambiente natural do país, entrega as florestas e demais coberturas vegetais brasileiras (bens da sociedade pertencendo a todos e a cada cidadão brasileiro indistintamente), aos interesses vorazes dos grandes latifundiários e a expansão desenfreada do agronegócio sustentada por empresas transnacionais do setor agropecuário e agroquímico.

Para tanto, há a necessidade de a sociedade participar ativamente deste debate tão importante para o futuro do país, questionando: Por que no mundo inteiro se fala em preservação ambiental e no Brasil falamos em facilitação da destruição da natureza? É preciso compreender os interesses que estão ocultos no jogo político.

Disponível em: www.fct.unesp.br/nera

*Doutorando em Geografia pela UNESP/FCT – Presidente Prudente
Pesquisador do NERA e GEOLUTAS

fonte: http://feab.wordpress.com/2011/12/14/codigo-florestal-a-servico-do-latifundio-e-do-agronegocio/

Documentarista Sílvio Tendler exibe novo trabalho e participa de debate sobre agrotóxicos na UFRPE.

Nesta quinta-feira (22/10) teremos a exibição do documentário “O veneno está na mesa”, novo trabalho do documentarista Sílvio Tendler. A exibição será realizada no Salão Nobre da UFRPE, a partir das 18h30. Depois da exibição do filme, o Tendler e outros convidados participam de debate sobre o abuso no uso de agrotóxicos para produção de alimentos. A entrada para o evento é gratuita.Tendler é detentor das três maiores bilheterias de documentários na história do cinema Brasileiro: “O Mundo Mágico dos Trapalhões”, “Jango”, e “Anos JK”. O filme, feito para a Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, mostra em apenas 50 minutos os enormes prejuízos causados por um modelo agrário baseado no agronegócio que só visa à maximização dos lucros.Entre os debatedores, já foi confirmada a presença do professor e pesquisador Francisco Roberto Caporal, do Núcleo de Agroecologia e Campesinato  (NAC) e do Programa de Extensão Rural e Desenvolvimento Local (Posmex) da UFRPE. Crítico ferrenho da utilização indiscriminada de agrotóxicos na produção de alimentos, Caporal é considerado um dos maiores exponentes da Agroecologia em todo o país.

O evento é uma realização do Diretório Acadêmico do curso de Ciências Sociais da UFRPE e do Movimento Revocultura Livre, contando com o apoio da coordenação de Ciências Sociais, do Núcleo de Agroecologia e Campesinato (NAC), do Jepex 2011, do MST, da Fiocruz, do Comitê Pernambucano da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

Debate sobre a campanha permanente contra a utilização de agrotóxicos e pela vida.

Diretório Acadêmico de Agronomia realiza: 1ª Semana de Agronomia – SEAGRO

Quando ainda estávamos em campanha uma de varias propostas da nossa Chapa era a realização da semana da agronomia. Com isso, fruto de um bom trabalho do diretório acadêmico em parceria com outros grupos e organizações, colocamos em prática o compromisso que assumimos com os/as estudantes de agronomia da UFRPE.Participem da 1ª Semana da Agronomia UFRPE – SEAGROAs inscrições podem ser feitas no CEAGRI 1 ou com os membros do D.Agro.

Investimento: 2kg de alimentos não perecível.

Confira a programação:

Segunda – 10 de outubro

8:00 às 9:00 – Abertura do evento

9:00 às 10:30 – Enologia: Vinhos do Vale do São Francisco
Palestrante: Profa. Dra. Luciana Lima -UFRPE

10:30 às 12:00 – Segurança do trabalho e suas aplicações na agronomia.
Palestrante: Técnico e Eng. de Segurança do Trabalho Ebénezer Santos – IFPE

14:00 às 15:30 – A importância da meliponicultura na Agricultura Familiar.
Palestrante: Eng. Agrônomo Alexandre Moura – APIME

15:30 às 17:00 – Grupo PróCana

Terça – 11 de outubro

8:00 às 9:00 – Implantação de PAIS
Palestrante: IPA
9:00 às 10:30 – Certificação de produtos orgânicos.
Palestrante: PET

10:30 às 12:00 – Oficinas

14:00 às 15:30 – A utilização de Agrotóxicos e os seus impactos.

15:30 às 17:00 – ADAGRO

18:00–Festa de encerramento no Mesa Farta

seagro

Semana da Agronomia

Diretório Acadêmico de Agronomia – UFRPE

Gestão 2011/2012: “Mais Vale O Que Será!”

Pauta de Reivindicação dos(as) estudantes de Agronomia para a REItoria da UFRPE.

FEDERAÇÃO OS ESTUDANTES DE AGRONOMIA DO BRASIL

DIRETÓRIO ACADÊMICO DE AGRONOMIA – UFRPE

D.AGRO

Recife, 14 de setembro de 2011

O diretório acadêmico de agronomia não apoiará nenhum (a) candidato (a) para as eleições da REItoria da nossa universidade. Temos esse posicionamento por entender que o Diretório Acadêmico tem o papel de representar os (as) estudantes de agronomia, e para declarar apoio a algum (a) candidato (a) deveríamos por princípios consultar a nossa base, que são os (as) estudantes.

Com isso, decidimos que a forma mais sensata de se portar durante esse processo seria realizando um CRT (Conselho de Representantes de Turma) para construir coletivamente uma pauta de reivindicações para ser entregue aos candidatos, com o intuito de firmar compromisso caso o mesmo seja eleito.

Segue abaixo nossas reivindicações:

  1. Compromisso com uma universidade pública, gratuita, de qualidade, crítica, criadora, laica e popular.
  2. Pela gratuidade do Restaurante Universitário, entendendo que esse espaço é de assistência estudantil e não para fins comerciais.
  3. Garantir a ampliação do Restaurante Universitário e sinalizar para a construção de um novo R.U na área das agrárias visto que temos uma grande concentração de cursos nesta área (Agronomia, Eng. Florestal, Eng. de Pesca, Eng. Agrícola e Ambiental, Gastronomia, dentre outros).
  4. Com a aprovação do REUNI na UFRPE, temos uma expansão desordenada da universidade acarretando vários problemas, dentre eles a falta de professores. Com isso, a REItoria da nossa IFE tem que em caráter de urgência convocar o concurso público para seleção de professores com Dedicação Exclusiva, visando a maior produção de ciência e tecnologia na nossa universidade.
  5. A nossa biblioteca não suporta as demandas que nós temos hoje em dia, com isso reivindicamos a construção de uma Biblioteca Setorial JÁ.
  6. Pela abertura da biblioteca aos sábados até as 16:00h.
  7. Com a ocupação do Restaurante Universitário em 2010, conseguimos a aprovação da REItoria a construção de uma creche universitária para o ano de 2011. Estamos caminhando para o fim do ano de 2011 e não temos nenhuma sinalização para a construção da creche, por isso reivindicamos a construção imediata da creche universitária e que ela atenda todas as mães da universidade (Estudantes, Professoras, Funcionárias).
  8. Realização de um projeto de paisagismo para a UFRPE e que esse projeto seja vinculado ao Departamento de Agronomia e que a universidade também garanta as condições de manutenção do mesmo.
  9. Instalação de dois semáforos na rua que corta a universidade, um em frente a entrada do hospital veterinário e outro na entrada do departamento de zootecnia, facilitando o deslocamento dos estudantes e evitando acidentes.
  10. Iniciar as obras de reforma urgente da TransRural e consequentemente da sua adequada iluminação, facilitando o deslocamento da comunidade acadêmica dentro da universidade.
  11. O conquista do ônibus circular da UFRPE foi um bom avanço, porém ele só funciona no horário da noite. Reivindicamos que o horário de funcionamento do Circular UFRPE seja estendido para os dois turnos (matutino e vespertino) e que o mesmo possa fazer o roteiro desde o departamento de agronomia até o departamento de zootecnia.
  12. Manutenção urgente nos ônibus quebrados da universidade.
  13. Compra de mais ônibus para a universidade visando mais oportunidades para a realização de aulas praticas e participações em eventos e congressos.
  14. Adquirir mais equipamentos para os professores utilizarem na sua didática de aulas, como por exemplo, data show.
  15. Abertura de mais vagas para o curso de línguas estrangeiras.
  16. Abertura de mais disciplinas optativas no curso de agronomia.
  17. Tendo em vista o grande crescimento do ingresso de mulheres na universidade, temos como urgência a ampliação das vagas para a casa do estudante feminina.
  18. Instalação de pontos de internet nos diretórios acadêmicos.
  19. Colocar estrutura para que possa ter salas de estudo no CEAGRI.
  20. Visando o caráter ergonômico, reivindicamos a troca imediata de todas as cadeiras das salas de aula do CEAGRI.
  21. Instalação imediata de bebedouros no primeiro e segundo andar do CEAGRI.
  22. Com o intuito de diminuir o deslocamento da turma do primeiro período para outros prédios da universidade, reivindicamos a instalação da estrutura correta para uma sala de desenho técnico no CEAGRI.
  23. O CEAGRI conta com grandes debilidades estruturais, visto que foi construído a toque de caixa. Reivindicamos a manutenção periódica do prédio com um intervalo de 2 meses.
  24. Eleições direta para a REItoria.
  25. Voto universal para o pleito da REItoria.

DIRETÓRIO ACADÊMICO DE AGRONOMIA – UFRPE

Em debate, a Universidade Popular.

Em debate, a Universidade Popular

http://www.brasildefato.com.br/content/em-debate-universidade-popular

Estudantes, professores e militantes se reuniram no I Seminário Nacional Sobre Universidade Popular para discutir os rumos das instituições de ensino superior
09/09/2011
 
André Guerra,
De Porto Alegre (RS)
O futuro da Universidade brasileira e da educação pública foram temas de debate no I Seminário Nacional Sobre Universidade Popular. O evento ocorreu em Porto Alegre (RS) entre os dias 2 e 4 de setembro na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), reunindo pessoas de todo o país para fundar ao que aponta ser um importante passo rumo à democratização da educação brasileira.
O principal objetivo da proposta, segundo Fausto Breda, representante do Movimento por uma Universidade Popular (MUP),  foi “contribuir para que as entidades que compõem as instituições de ensino sejam ainda mais efetivas em suas lutas”.
José Paulo Neto
Tônica da abertura foi a necessidade de uma rearticulação
da luta pela democratização e qualificação das instituições
de ensino público – André Guerra
Após uma aula pública inicial que expôs os objetivos e metas do seminário, centenas de jovens lotaram o salão nobre da Faculdade de Direito da UFRGS. A mesa de abertura contou com os convidados José Paulo Netto, Doutor em Serviço Social e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Paulo Rizzo, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Santa Catarina (UFSC) e ex-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDRES-SN).
Os questionamentos que permearam o primeiro dia do seminário referiram-se, principalmente, às desestruturações ocorridas no ensino superior desde os anos 90, com a implementação acelerada do projeto neoliberal. Foi ressaltado que, com a intenção de transformar o ensino em mercadoria, a educação deixou de ser tratada como direito e passou a ser vista como um serviço, voltada, majoritariamente, para o lucro. Além disso, refletiu-se sobre as circunstâncias em que a educação está inserida atualmente, sendo pressionada em um espaço que barra o desenvolvimento pleno de todas as potencialidades da sociedade. Nesse sentido, da mesma forma que, por um lado, a Universidade teria o papel de incentivar o pensamento crítico e reflexivo, por outro ela também passa a servir como aparelho ideológico do Estado, sendo usada como instrumento de manutenção da ordem vigente.
“Você tem o conhecimento construído para a opressão, para justificar a exploração, e o conhecimento que liberta, pois não há forma de libertação sem conhecimento”, contrapôs o professor Paulo Rizzo.
A tônica da abertura do seminário foi a urgente necessidade de uma rearticulação da luta pela democratização e qualificação das instituições de ensino público. Foi avaliado que, apesar de haver uma tendência de resistência à desqualificação do ensino, por si só essa medida não basta. As lutas contra o sucateamento, privatização e precarização do ensino superior necessitariam estar articuladas em uma ofensiva que tenha programa e estratégia, interligando as lutas imediatas a um projeto global de melhoria da educação.
Segundo os especialistas, as lutas imediatas referem-se às reivindicações que estão ganhando cada vez mais força nas Universidades de todo o país. Além dos protestos dos alunos que pedem uma educação de qualidade, há uma demanda pela ampliação da assistência estudantil, aumento do valor das bolsas, investimento em restaurantes universitários e aumento do salário dos técnicos administrativos.
“Se for possível vincular as lutas estritamente universitário-acadêmicas às lutas da massa do povo brasileiro, nós não estaremos malhando em ferro frio, não estaremos dando murro em ponta de faca”, afirmou José Paulo Netto.
Netto ainda foi ovacionado quando salientou as dificuldades e cautelas a serem tomadas na construção de um projeto de Universidade Popular.
“Eu queria pontuar que é necessário unificar, naquilo que for possível, a pauta de demandas de docentes e pesquisadores; de servidores técnicos administrativos e estudantes. Isso não se faz docemente, nós sabemos que há tensões e conflitos, mas há um denominador comum de defesa de um projeto de Universidade. É preciso encontrar aliados fora da Universidade. Esses aliados existem em profusão na sociedade brasileira, mas o problema é direcionar essa luta”, disse.
Na visão de José Paulo Netto, o movimento em prol da Universidade Popular não pode ser partidário, no entanto os partidos têm que se comprometer com a causa, pois esta seria uma causa de todos.. Ele ainda pontuou que essa reivindicação, embora se refira a uma instituição específica como a Universidade, não pode estar isolada das necessidades da população e da demanda por uma educação de qualidade em todos os níveis.
“A sociedade brasileira não está parada. Tem tensão explodindo em tudo quanto é canto. Essa sociedade é uma panela de pressão que está submetida a um fogo altíssimo. O que nós não temos são organizações”, alertou o professor.
José Paulo Netto também identificou a esquerda como a responsável por conduzir o processo de transformação da Universidade.
“É casual que esse movimento seja um movimento esquerdista? Não, não é casual. Se a esquerda que está na frente, nas suas diferenciadas expressões, que vão de movimentos a partidos políticos, é porque a esquerda, hoje, tem a obrigação e o dever de levantar a bandeira da democratização do conhecimento. Isto é vital para esquerda”, afirmou.
Paulo Netto concluiu com palavras de otimismo em relação ao futuro do ensino superior, considerando que o Seminário Nacional Sobre Universidade Popular pode ser uma grande oportunidade para transformação da Universidade em um espaço plural, democrático e crítico.
“A nossa Universidade se divide em três grandes segmentos: há os revolucionários, aqueles que estão empenhados em mudar a nossa sociedade, mudar o mundo e, portanto, mudar a Universidade. Esses caras são no máximo 10 por cento. Tem os reacionários, que são os restauradores. Esses são no máximo 10 por cento. Os outros 80 por cento são pessoas extremamente bem-intencionadas, sérias e que estão esperando alguém que dê uma direção às suas angústias, às suas insatisfações. Se esse movimento for capaz de dar essa direção, nós podemos mudar a Universidade”, completou.
Mauro Iasi

Plenária lotada em todos os debates.