REUNI: Só 46% das obras foram entregues.

Por Túlio de Luna*

REUNI é uma sigla para o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, do Governo Federal. Foi instituído pelo decreto presidencial nº 6096 de 24/05/2007, sendo ainda regulado pelas portarias interministeriais 22/2007 e 224/2007, por um documento de Diretrizes Gerais e outro de Documento Complementar.O seu objetivo, segundo o art. 1º do decreto é: “criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível da graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas Universidades Federais”

Tiveram grandes mobilizações contra a aprovação do REUNI nas universidades por todo o Brasil, na nossa UFRPE não foi diferente, estudantes ocuparam conselho universitário, conselheiros foram expulso do CONSUNI, e foram realizados debates sobre as mazelas que acarretaria com a aprovação do REUNI. No ano de 2007 quem ousava lutar contra a aprovação do programa era taxado de retrógrado, alunos que não queriam o avanço da universidade e do ensino superior, dentre outros jargões.

Também tivemos muitos movimentos que ainda atuam dentro da nossa universidade nos dias de hoje, favoráveis a adesão do REUNI, fazendo propaganda contra as mobilizações e etc. Hoje o que vemos na nossa cara é o retrato do que estávamos debatendo no ano de 2007.

Foram criadas 14 novas instituições – o que possibilitou praticamente dobrar o número de oferta de vagas. A infraestrutura, en­­tretanto, não acompanhou o ritmo: dos 3,5 mi­­lhões de metros quadrados de obras previstas, nem me­­tade (46%) foi construída. O Reuni se encerra em 2012, com uma expectativa de mais obras pela frente – ainda que sem previsão definitiva sobre a data de conclusão das obras já iniciadas. De 2008 até o ano que vem, o governo federal terá desembolsado no programa R$ 5 bi­­lhões – somente em 2012, os gastos serão de R$ 593 mi­­lhões, segundo o Ministério da Educação (MEC).

A nossa universidade chegou a ser a campeã de obras paradas, totalizando 9 obras. Na UFRPE/Sede (Recife), o prédio do CEAGRI 1 está com rachaduras enormes, a parte elétrica do prédio é totalmente deficiente, queimando as lâmpadas de datas-show, quebrando ar-condicionado com frequência, isso tudo é reflexo de uma obra que foi feita a toque de caixa.

Não podemos esquecer que o CEAGRI 2 foi entregue da mesma forma que o CEAGRI 1 sem a obra ter sido concluída, no CEAGRI 2 a situação ainda era pior, poeira para todo os lados, não tinha ventilador, ar-condicionado e os estudantes foram obrigados a estudar naquele prédio. Com algumas mobilizações os estudantes organizados começaram a contestar aquela situação inadmissível e foram tomando algumas poucas providências por parte da universidade.

A assistência estudantil está completamente defasada na nossa universidade, temos um Restaurante Universitário privatizado, com um preço elevado chegando até ser o R.U mais caro das Universidades Federais do país.

Nos campis avançados Garanhuns (UAG) e Serra Talhada (UAST), temos várias obras paradas, citando alguns exemplos em Garanhuns existe o curso de medicina veterinária, onde a obra do hospital veterinário está parada, na UAST temos um curso de Engenharia de Pesca em que o estudante tem que vir para Recife para ter aulas práticas.

Em suma, o REUNI vem com um discurso de melhorias nas Universidades Federais, porém:
– Congela a verba por 5 anos,
– Não garante o recebimento desta verba,
– Estipula um aumento maior da estrutura da Universidade do que a verba pode cobrir,
– Estimula a superlotação de salas e sobrecarga de professores através do cumprimento de suas metas duvidosas
– Privilegia a quantidade de formandos ao invés da qualidade de ensino,
– Quebra o tripé ensino-pesquisa-extensão e a autonomia universitária.

Dentre outras realidades nefastas vistas pelas universidades do país.

*Túlio de Luna é discente do curso de Agronomia – UFRPE e Coordenador Geral do Diretório Acadêmico de Agronomia – UFRPE
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