Universidade Popular, uma luta necessária.

Universidade Popular

Universidade Popular, uma luta necessária.

O debate sobre a educação no Brasil nos remete à discussão sobre que universidade nós necessitamos de acordo as demandas da maioria da população, os trabalhadores. Para a União da Juventude Comunista, é impossível dissociar a luta por uma sociedade mais justa e fraterna da luta por uma universidade popular. Cabe aos movimentos sociais e em especial àqueles ligados à educação debruçar-se sobre esse tema e apontar uma alternativa estratégica ao modelo elitista atual.

A construção da Universidade Popular passa necessariamente pela reafirmação do seu caráter público e a luta intransigente contra qualquer medida que busque torná-la privada. Uma universidade que tenha como princípio o ensino crítico, com práticas educativas que que rompem com o modelo pedagógico atual e coloque a educação como instrumento de emancipação das classes subalternas.

Neste projeto a ciência e tecnologia devem voltar se para as demandas reais da maioria da população e não para os interesses mercadológicos. Uma universidade com democracia interna, que tenha espaços onde docentes trabalhadores e estudantes possam colaborar e construir conjuntamente um forte instrumento de transformação. Uma universidade que assuma o seu papel transformador da realidade, dialogando com os mais diversos movimentos sociais com o objetivo de construir novos valores na sociedade brasileira.

Hoje se faz necessário muito mais do que a disputa fratricida entre organizações estudantis de cúpula, que os estudantes brasileiros se debrucem acerca da questão do modelo de universidade ao qual defendemos e devemos disputar este projeto na sociedade. Se o movimento estudantil em articulação com os próprios trabalhadores da universidade e os demais movimentos populares não tiver como foco a construção de um projeto de universidade de viés classista e continuar em uma defesa generalista do “ público, gratuito e de qualidade” estaremos fadados a defender uma expansão universitária que se integra perfeitamente ao modelo de desenvolvimento capitalista ao qual passa o Brasil. A Universidade que se expande é excludente, e não pressupõe uma sociedade pautada na distribuição de riquezas, mas sim em diplomas pra muitos, e ciência de ponta para poucos grupos econômicos privilegiados.

A luta pela universidade popular é plural e ampla por isso atuamos das formas mais diversas possíveis. Problematizar o acesso, rejeitando este tipo de vestibular que que favorece em termos gerais quem possui dinheiro. Lutar por democracia, boas condições de permanência. Problematizar o ensino, através da participação ativa nos espaços universitários onde se discuta o conteúdo pedagógico e onde se discuta a criação de novos cursos, buscando sempre cursos que gerem massa crítica e que se orientam para demandas populares.

Hoje o projeto de universidade que se apresenta como demanda da esquerda é o da Universidade Popular, e sua construção depende de uma clara consciência de como dialogar este projeto com a realidade concreta. Tratemos ponto a ponto:

1- Ensino:
Como é possível perceber o ensino na universidade hoje vem perdendo seu caráter metodológico, em menor ou maior grau. Não mais serve a formação de pessoas críticas capazes de realizar por conta própria o estudo e análise da realidade. Não mais se formam cientistas. Para a construção da Universidade Popular devemos ter em mente o ensino metodológico. Apenas um ensino de tal modo pode ao mesmo tempo preparar aqueles que o cursam para o mundo do trabalho ao passo que permita uma formação crítica. Sem tal curso metodológico, fica impossível uma inserção crítica no mundo do trabalho e até mesmo impossibilita que os indivíduos formados possam suprir as demandas sociais, uma vez que estas mudam conforme mudem os problemas centrais da comunidade. Para isso é imprescindível que a formação de professores e cientistas seja indissociável.

2- Pesquisa:

A pesquisa na universidade não pode ser pautada, como hoje cada vez mais se torna pela taxa de lucro de alguns indivíduos e grupos empresariais. A Pesquisa de Base é fundamental para que desenvolva a ciência no país. E mesmo a pesquisa aplicada deve tomar um caráter diferente do que toma hoje. A pesquisa aplicada não pode ser voltada para demandas do mercado, isto é, não deve ser para o que é mais lucrativo. A universidade deve ter como lógica de pesquisa o que se demonstra como demanda popular. São os problemas da população, sejam eles de ordens médicas, culturais ou no âmbito do urbanismo, que devem ser solucionados. Deve-se também evitar o puro utilitarismo, isto é, o conhecimento produzido não deve ser pautado apenas pelas suas utilidades imediatas, mas pela demanda popular, e também acadêmica, que pode detectar a necessidade do estudo em determinada área. Nesse sentido, é fundamental que os alunos estejam engajados em tais produções, sempre cientes da produção científica e das demandas populares. Deve-se dizer que a produção de conhecimento é para a universidade popular uma função fundamental a ser garantida.

3- Extensão:

A extensão não é como é tratado hoje, um mero apêndice da universidade. A extensão é um ponto fundamental para o funcionamento de uma Universidade Popular. Não por levar à população o que é produzido na universidade, mas sim o inverso: é justamente na extensão onde, em uma realidade em que os trabalhadores não estão organizados politicamente, a comunidade universitária poderá absorver as demandas populares, para o redirecionamento da produção acadêmica, fechando o ciclo. Não trata a extensão da produção de livros didáticos, mas sim da verdadeira integração entre a construção destes junto a um diálogo com as escolas públicas. Não é apenas a oferta de atendimento médico e garantia do espaço de estudo para futuros médicos, no Hospital Universitário, mas a utilização destes hospitais para o mapeamento de doenças mais comuns e de centrar então na prevenção destas.

É na extensão que poderemos avaliar, por exemplo, qual é o meio de produção de energia mais eficaz para a realidade brasileira, levando em conta a organização urbana brasileira, as aplicações de projetos de produção e aproveitamento de energia de cada bairro. Nesse sentido, fica dada a unidade entre ensino-pesquisa-extensão que pautamos: é o curso metodológico voltado para as demandas populares, seja no caráter do ensino, da pesquisa ou extensão. É o desenvolvimento do ser humano pleno científico e consciente, capaz de intervir no mundo do trabalho e na sociedade que este gera, levando em conta não o mercado, mas as necessidades concretas do estado e do país. É a unidade que se realiza no fechamento do ciclo de conhecimento como um conhecimento social.

Criar Criar Universidade Popular

I Seminário Estadual de Universidade Popular.

Há poucos dias do I Seminário Nacional de Universidade Popular (I SENUP), que será realizado nos dias 2,3 e 4 de Setembro de 2011 em Porto Alegre/RS, em Pernambuco a União da Juventude Comunista (UJC) em conjunto com a Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social (ENESSO) e Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB) somam esforços para a construção do Seminário local para debater sobre Universidade Popular, em preparação aos debates do I SENUP.
No dia 27 de Agosto de 2011 (sábado) os e as estudantes dispostos a debater sobre um projeto de universidade popular, uma educação para além do capital, com produção de conhecimento para e com o povo trabalhador, devem se fazer presente ao I Seminário Estadual de Universidade Popular – PE no Auditório de Medicina Veterinária na UFRPE.
Confira a programação completa e o cartaz do evento.
08h00min – Credenciamento e acolhida (voz e violão/recital de poesia)
09h00min – Mesa de abertura
Representantes da ENESSO, FEAB, UJC, PCB, ADUFERPE e SINTUFEPE/UFRPE
09h30min – Mesa: Educação para além do capital
Eixo 1: Educação Popular
Facilitador: Antônio Alves “Morgação” – Estudante de Jornalismo/Fac. Maurício de Nassau
Eixo 2: Panorama da Universidade hoje
Facilitador: Daniel Rodrigues– Profº do CE/UFPE
Eixo 3: Por uma Universidade Popular
Facilitador: Alcides Junior – UJC
12h00min – Intervalo almoço
14h00min – GD’s
16h30min – Apresentação sumária dos debates
16h50min – Encerramento